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Quando o mundo fica contra: a dificuldade de tomar decisões quando ninguém concorda

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As decisões mais radicais que eu tomei foram as mais acertadas 

Qual empreendedor nunca sentiu que estava nadando contra a corrente? Que estava tomando a melhor decisão, mesmo que ninguém acreditasse nela? Pois é. Sempre que mudamos de carreira, fazemos uma escolha diferente para a nossa vida pessoal ou estimulamos grandes revoluções nas empresas, estamos sujeitos ao julgamento e à resistência de nossa família, de nossos colegas e de nossos sócios.

Durante a minha vida, eu fiz escolhas ou sugeri alternativas que me levaram para situações em que o mundo ficou contra mim. Mas, olhando para trás, percebo que a maior parte das decisões radicais que eu tomei foram as que me colocaram no caminho certo. Ao remar contra a maré, nunca achei que estava indo pelo caminho errado. Aprendi que se você quer construir algo que ainda não foi construído, precisa fazer o que ninguém fez.

Compartilho a seguir as minhas experiências nos últimos anos e o que eu aprendi com elas. Talvez sirvam como uma fonte de inspiração caso você esteja vivendo dilemas parecidos.

A primeira loucura – de funcionário a empreendedor

Aos 20 anos, eu trabalhava com vendas em uma empresa média. Por causa das comissões, ganhava cerca de R$ 40 mil por mês, um salário muito acima da média para a minha idade e para quem tinha nascido em uma família humilde na periferia.

Comecei a sonhar que seria presidente daquela empresa e fiquei fixado nessa ideia. Passei cerca de três meses devorando livros de gurus de empresas, de gente que entendia de plano de negócios, estudando mesmo. Tudo o que eu aprendia, comparava com a empresa onde trabalhava. Em dezembro, finalizei uma apresentação de 42 slides, chamei todos os sócios da empresa e fiz um diagnóstico da situação para eles, como uma consultoria.

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Quando terminei, disse que tinha preparado o material porque meu grande sonho era ser presidente. Ninguém entendeu nada, e os sócios olharam para mim com cara de apavorados. Arrisquei: se em um mês eles não me dessem uma perspectiva de ser presidente, eu iria procurar outro trabalho. Na minha cabeça, eu tinha alguma chance.

Claro que eles não me deram uma resposta e eu pedi demissão. Como ser presidente de empresa leva tempo, concluí que seria mais fácil abrir a minha própria empresa. Nesse período, todas as pessoas mais próximas de mim, inclusive minha mãe, diziam que eu estava louco. Amigos e familiares eram contra. Mas eu não me importava muito com o dinheiro. Com o apoio do Rui, um dos sócios da empresa onde eu estava, resolvi empreender.

Se eu não tivesse sonhado tão grande aos 22 anos, ficado em um ambiente mais seguro, com um bom salário, como todos me recomendavam, eu não teria trilhado meu próprio caminho e construído uma empresa da qual me orgulho.

A inovação – gestão de pessoas como diferencial

Quando eu decidi empreender, fiquei oito meses estudando para montar o negócio. Era 2007 e a fama do Google em relação à gestão de pessoas estava se espalhando. Foi então que eu percebi que a questão não era só ser presidente. Era também fazer alguma coisa que ninguém tinha conseguido fazer, pelo menos na gestão de pessoas. Queria algo tão bom quanto o Google.

Em 2008, quando a empresa começou a engrenar, fiquei com outra ideia fixa: levar a equipe inteira da Acesso Digital para a Disney. Visitei os Estados Unidos pela primeira vez em 2006 e queria proporcionar essa experiência para as pessoas. Nem meu pai achou que daria certo.

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Tínhamos uma meta de chegar a um faturamento mensal de R$ 200 mil. Propus que, se chegássemos a R$ 350 mil, levaríamos todo mundo para viajar. Meus sócios ficaram horrorizados. A gente ainda estava pegando empréstimo no banco para se financeira. Minha lógica para convencê-los foi simples: se eu der 14º para todo mundo, vocês concordam? Sim, eles responderam. Pois a viagem seria mais barata do que dar um 14º. Conseguimos bater a meta e viajamos em outros quatro anos com a empresa toda, das copeiras aos diretores.

Depois, criamos o programa Olhando Além, por meio do qual mandávamos pessoas da Acesso para países como Noruega e Japão para um intercâmbio cultural. A ideia era refletir sobre o nosso próprio padrão mental, aprender com o diferente e perceber que as nossas maneiras não são sempre tão boas quanto a gente acha.

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Dessa vez, ir contra os padrões me ajudou a criar uma motivação a mais para todo o time. Se meus sócios desconfiaram da ideia inicialmente, todos os funcionários rapidamente aderiram.

A ruptura – empreendedor de licença

De 2009 a 2013, a Acesso Digital cresceu em um ritmo ótimo. Depois, começou a estagnar. O que percebi foi que sempre dei atenção para coisas fora do padrão, mas deixei de lado o negócio. Achei que ele ia funcionar sozinho e, quando vi, não estava crescendo mais.

Concluí que precisava entender o que tinha acontecido e ter um novo objetivo. Decidi tirar uma licença de dois meses para visitar empresas inovadoras no Brasil e no Vale do Silício. Escolhi 15 pessoas da Acesso para me acompanhar. Aí, aconteceu uma coisa interessante. Os diretores que foram comigo ficaram apavorados. Pelo nível de profundidade que eu estava indo, eles acharam que eu iria destruir tudo que havíamos construído.

Dessa vez, meu próprio time ficou contra mim. As pessoas tinham uma previsibilidade de carreira, sabiam o que ia acontecer, e de repente eu tive vontade de mudar a empresa. Várias pessoas com quem conversei aqui e lá fora me disseram que eu não precisava passar por aquilo. Já tinha uma boa história e podia vender a empresa por um valor extraordinário. Mas eu queria viver outro capítulo na mesma empresa.

A reconstrução –  é impossível agradar todo mundo

Quando eu decidi que meu negócio realmente precisava de uma reciclagem profunda e comecei a colocar as mudanças em prática, o baque foi grande. Em três meses, apenas um dos diretores do meu time ficou na empresa. Percebi que os avisos que tinha recebido eram verdadeiros na prática, que mexer com as expectativas das pessoas é difícil. Mas eu segui em frente porque sabia que precisávamos desse chacoalhão. As pessoas que começaram a jogar contra as novas ideias aos poucos perceberam que seu ciclo de trabalho na Acesso havia terminado.

Mexi no modelo de negócio, porque agora estamos mirando a pessoa física, além de empresas, queremos uma escala muito maior. Temos agora como grande objetivo digitalizar todos os brasileiros com seus documentos e biometria, para que eles possam possa se apresentar em qualquer lugar por meio da biometria. Ao mesmo tempo, mexi na cultura. Depois de nove anos, envelhecemos internamente. Estávamos com muita hierarquia, burocracia e aversão ao risco. Agora, precisamos construir um novo modelo.

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Mesmo perdendo muita gente do time e sabendo que a transição tanto do modelo de negócios como da cultura não será fácil, tenho convicção de que a mudança era necessária. E às vezes decisões radicais têm danos colaterais –é preciso saber aceitá-los.

A grande lição – em busca dos por quês

Nos últimos anos, eu passei por um processo mais profundo de entender o que me leva em alguns momentos a querer ir contra os padrões. De onde vem a vontade e a energia para ir contra as opiniões?

Quanto mais clara está a origem das suas atitudes, mais fácil fica enfrentar situações nas quais pouca gente te apoia, porque você sabe no que acredita. Entender o que te move torna mais difícil ceder à pressão. Acredito que o fato de os meus pais sempre terem me dado liberdade para fazer algumas loucuras também me ajudou. Quando eles descobriram que eu estava criando peixes escondidos na caixa d’água, não fui podado. Então, eu encaro tudo como uma fronteira possível de alcançar.

Além disso, eu sempre contei com alguém que acreditava em mim. Ter o mundo jogando contra muitas vezes te deixa sozinho no início da jornada. Quando comecei, o meu grande apoio chamava Rui Jordão. Atualmente, conto muito com a minha esposa, Maira Martins. Esse suporte nos momentos de mudança é fundamental. Em qualquer processo como esses que vivi, o início é difícil, com muito teste de resistência. Mas vencendo essa fase, as escolhas começam a dar certo.

, Acesso Digital, CEO & Fundador
Diego queria criar um ambiente no qual as pessoas fossem genuinamente felizes e verdadeiras no trabalho. Foi assim que, em 2007, junto ao sócio financeiro Rui Jordão, Diego fundou a Acesso Digital. A Acesso Digital se tornou referência no mercado de captura e gerenciamento de documentos, sendo também referência mundial em gestão de pessoas. Em 2008, por conta da atuação frente à empresa, Diego foi eleito o Empreendedor de Sucesso, na categoria Oportunidade, pela Fundação Getúlio Vargas e a Editora Globo. Em 2011, junto com o Paulinho, foi selecionado como Empreendedor Endeavor.

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