Você já se perguntou por que
nosso conteúdo é gratuito?
Somos uma ONG de fomento ao empreendedorismo de alto impacto que capacita
4 MILHÕES
DE EMPREENDEDORES
A CADA ANO
Faça a sua doação e contribua para continuarmos
este trabalho em 2016!

Do Rio para os EUA: como internacionalizamos o Spoleto

LoadingFavorito
internacionalizacao-spolet

Oferecimento:
1208878740878133606

Levar a empresa para fora do Brasil é o sonho de muitos empreendedores. Veja o que aprendemos com a internacionalização do Spoleto.

Quando eu e o Mario fundamos o Spoleto, a gente já tinha o sonho de criar uma marca. Mais que isso, nós sabíamos que tínhamos em mãos uma experiência que poderia ir para fora do Brasil, e como ninguém é melhor que ninguém, se as marcas de fora podem vir para cá, por que não podemos levar a nossa para lá? Nós conseguimos sentir isso quando lançamos os nossos primeiros restaurantes, em 1999, no Rio de Janeiro, e as pessoas perguntavam se era uma franquia de São Paulo. O que já era um bom sinal.

Já em 2000, estávamos registrando a nossa marca no mercado americano, mesmo ainda com uma situação financeira muito delicada e com só 6 unidades. Mas só começamos as operações nos EUA em agosto de 2013 e só abrimos o primeiro restaurante em março de 2015. Mas não vamos pular etapas, ainda tem muitos muitos capítulos até o final dessa história.

  • O começo de tudo

Volta a fita. Em 2004, recebemos um grupo de estudantes do MIT, participantes do programa G-Lab, que iriam nos ajudar a criar um plano de internacionalização para o Spoleto. Mas não foi isso que aconteceu.

Quando o pessoal começou a conhecer a empresa mais a fundo e a conversar com o nosso pessoal, eles apontaram que ainda tínhamos muitas oportunidades para explorar antes de começar a internacionalização. Naquela época, nós nem tínhamos um diretor financeiro e a nossa estrutura ainda era confusa. Então, em vez de ganhar um plano de internacionalização, conseguimos um plano para montar uma estrutura mais eficiente para a empresa.

Leia também: Eficiência: a energia que move sua empresa

Foi também no fim 2004 que fechamos um acordo com os franqueados da Domino’s no Brasil. Eles eram a maior empresa de foodservice do México, mas aqui estavam indo muito mal. Por isso Federico, diretor da operação da Domino’s no Brasil, nos ofereceu um deal: eu e o Mário seríamos sócios da Domino’s no Brasil e, em contrapartida, eles levariam o Spoleto para o México. Isso foi muito importante para a gente.

Na verdade, foi a primeira experiência que tivemos com mercado estrangeiro. Foi um verdadeiro ensaio da internacionalização e tivemos o primeiro contato com uma grande empresa que já operava várias marcas. Foi um grande aprendizado. E aprendemos muito por ver também como era o lado de ser franqueado e pertencer a uma rede na época com 7.000 pontos em muitos países e 46 anos de vida.

  • Crescendo e aprendendo

Durante os anos seguintes, até 2007, nós continuamos recebendo aqueles grupos de alunos do MIT e conseguimos estruturar um plano com muito mais consistência. A gente começou a mapear as marcas que cresciam, novas tendências e até mesmo temas relacionados a marketing. E tudo isso nos ajudou a fortalecer a nossa operação. Em 2007, a gente contratou o All Badoc. Ele era membro do conselho do Chipotle. Não sei se vocês já ouviram falar da marca, mas, na época, eles tinham mais de mil lojas próprias só nos Estados Unidos.

Bem, ele pegou todos os nossos estudos, juntou com o conhecimento dele e preparou, junto com a gente, um plano para o Spoleto entrar nos Estados Unidos. Quando a gente vai para fora, às vezes esquecemos de pensar em coisas básicas, como: onde vai ter um bom fuso-horário em relação ao Brasil? O mercado em que quero entrar tem uma boa aceitação de marcas de fora e de comida saudável ? Como funciona o imposto, pontos, suprimentos e logística? E a mais importante de todas: qual seu público alvo, o americano ou o brasileiro?

Isso é essencial, porque, se você não entende o seu público, fica impossível fazer um produto ou serviço que atenda às expectativas dele.

Quando você quer internacionalizar, você tem que ter consciência de que estará lidando com pessoas e culturas totalmente diferentes das suas.

E se esse país é os USA isso passa para outro patamar em função do tamanho do mercado e, consequentemente, concorrentes muito fortes. Nós tínhamos tanta certeza disso que sabíamos que, quando fôssemos para lá, ou eu ou o Mário teríamos que mudar para os Estados Unidos e ver toda a operação de perto.

Leia também: Fazendo negócios nos EUA: lições de um empreendedor de primeira viagem

Em 2012, John Velásquez, que na época era nosso consultor da Domino’s no Brasil, disse que o momento de entrar nos USA era aquele e que ele seria nosso sócio e CEO lá. Isso fez toda diferença, pois ele não só já tinha trabalhado com a gente ombro a ombro, quando encontramos o modelo da Domino’s para o Brasil, como entendia e compartilhava da nossa cultura. Nós já havíamos passado por muitas coisas juntos. Então, no meio de 2013, fechamos o acordo com ele. Ter uma pessoa que seja local e conheça intimamente a sua empresa e cultura faz diferença ecom isso não precisávamos nos mudar para os USA.

  • Quando o sonho virou realidade

Quando a ficha caiu de que isso realmente seria realidade, eu e o Mário paramos e pensamos: estamos indo para o maior mercado do mundo, temos que estar abertos a mudar tudo sem perdermos a nossa essência. E foi com esse pensamento que decidimos contratar as melhores pessoas que nosso conhecimento e dinheiro podia pagar, desde o arquiteto e agências de branding até os consultores de culinária. Estar aberto a começar de novo e investir em pessoas daquele país é essencial. Afinal, são eles que vão te ajudar na construção desse novo modelo de negócio e nos fazer entender ainda mais a cultura local.

Outra coisa para ter em mente é entender que tudo é aprendizado. Normalmente, a primeira loja vai demorar e sair mais caro do que o planejado. E, no nosso caso, como era um modelo novo de negócio, uma evolução da nossa experiência de marca, tivemos de aprender e gerir esse novo modelo. Fomos melhorando mês a mês, mas quando abrimos o segundo restaurante, em julho de 2015, a qualidade do nosso serviço piorou e os números caíram. Isso soou como um alerta em nossas mentes e colocamos o pé no freio.

Paramos todos os planos futuros de aberturas até que tivéssemos certeza que o nosso modelo de negócio estava funcionado.

E disso nós tiramos uma lição muito preciosa: tudo ao seu tempo. Muitos empreendedores, quando decidem levar a marca para fora, fecham o compromisso de fazer X lojas em X anos. Daí começam a abrir loja atrás de loja, acreditando que no tempo vão conseguir ter o negócio na mão, mas só fica mais difícil. E isso dificulta ainda mais o que já é difícil, que é qualquer internacionalização. Conseguimos em 8 meses chegar a 80% do modelo de negócio, dentro do qual trouxemos a nossa causa, a democratização da culinária, para a maneira de como operamos nossos restaurantes. Melhorando a qualidade de nossos produtos e serviços e diminuindo os custos de pessoal e custo de mercadoria. Isso tudo nos deu a coragem necessária para abrirmos o terceiro restaurante em junho de 2016 e ainda já se preparar para abrir em outras cidades.

Devemos fechar o ano de 2016 com 6 restaurantes em 3 cidades. Não existe fórmula certa para empreender, principalmente em mercados fora do país. Vai ter sempre muitos erros e acertos. Ainda estamos no início, mas acreditamos estar no caminho certo, logo alguns aprendizados que tivemos são:

1. Antes de internacionalizar, tenha certeza de que aproveitou muitas das possibilidades no Brasil. Explorar essas oportunidades vai fazer muita diferença tanto financeiramente como também na aquisição de experiência. Internacionalização é sempre um projeto de longo prazo, com muito foco e muito investimento;

2. Ter uma boa história para contar te abre muitas portas, seja na negociação de preços mais competitivos no suprimento, como na hora de buscar os parceiros certos dessa jornada, como investidores;

3. A qualidade do produto ou serviço tem que ser igual em qualquer lugar do mundo. Não adianta você melhorar quando vai sair do Brasil e depois não buscar o mesmo padrão em todos mercados, principalmente no Brasil;

4. Conheça o ambiente de negócios em que você está entrando. É muito difícil conseguir crédito? Preciso de algo específico para abrir a minha empresa aqui? Quais os principais players e tendências do mercado? Qual é o capital de giro que vamos precisar até conseguir colocar a operação no azul? ;

5. Se você quer uma empresa para americanos, contrate pessoas americanas para o estratégico e operacional. O mesmo vale para outros locais e nacionalidades.

No final de tudo, só posso dizer que é muito bom pensar em sair do Brasil, pensar que não existem fronteiras para o seu negócio, mesmo ainda em um tamanho pequeno de empresa como foi com a gente. Isso fortalece a cultura da organização. Conseguimos atrair pessoas melhores que vão, no futuro, realizar o sonho junto com você.

Construir uma marca exige muita dedicação, foco nos valores e em todos os detalhes. Muito foco. É fácil acabar perdendo o seu objetivo em meio a tantas atividades novas que começam a pipocar. É preciso acreditar e persistir. Afinal, mesmo que tudo dê errado, os aprendizados que você ganha são impagáveis e são eles que vão melhorar, com certeza, suas operações aqui no Brasil.

Em 2 ou 3 anos podemos ter mais histórias e aprendizados para dividir, até lá, o que tenho a dizer é: levem suas marcas para fora do Brasil !

, Spoleto, Sócio-fundador
Atual Sócio-fundador do Spoleto, Eduardo é formado em hotelaria pela Ecole des Roches, na Suíça, sua primeira incursão na área de alimentação, aos 23 anos, foi pelo restaurante Alfredo di Roma, localizado no Hotel Intercontinental, um dos ícones do Rio de Janeiro. Em 1992, ao lado do até hoje sócio Mario Chady, abriu o restaurante carioca de culinária contemporânea “Guilhermina Café”, que ganhou destaque no cenário gastronômico do Rio. Paralelamente, até 1997, desenvolveu outros projetos na área de food service, que culminou com a criação do modelo de negócio inusitado.

Deixe seu comentário

1 Comentário

Faça login para deixar seu comentário sobre este conteúdo
ordernar por: mais votados mais recentes
  1. Andréa Giugliani - says:

    0 curtidas
     
    Curtir

    Excelente exposição sobre a sua experiencia. Super realista!! obrigada!!!

Parceiros
Criação e desenvolvimento: