facebook
Você já se perguntou por que
nosso conteúdo é gratuito?
Somos uma ONG de fomento ao empreendedorismo de alto impacto que capacita
4 MILHÕES
DE EMPREENDEDORES
A CADA ANO
Faça a sua doação e contribua para continuarmos
este trabalho em 2016!

‘Tombo alto leva quem está de salto-alto’: lições de Mario Chady para o sucesso não subir à cabeça

LoadingFavorito
perigos-sucesso

Quando você entra numa espiral positiva, é normal que se sinta confiante para fazer tudo. Mas como evitar subir no salto-alto e perder o foco? Conheça dicas de quem já passou por isso

Você já deve ter lido ou ouvido por aí a seguinte máxima: “o único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário”. Há quem a atribua a Albert Einstein, há quem diga que é do escritor norte-americano Mark Twain, ou mesmo do cabeleireiro e empresário britânico Vidal Sassoon. Embora haja dúvidas sobre quem realmente proferiu a frase, não se discute a verdade que ela carrega. Ainda mais quando se trata de empreendedorismo. Para usar outra sentença famosa, é “chover no molhado” dizer que abrir e gerir uma empresa dá muito trabalho. Todo mundo sabe disso.

Como todo mundo deveria saber que, quando o sucesso vem, o ideal é que seja reconhecido como consequência natural desse trabalho. Que inspire ainda mais trabalho, para que a empresa continue crescendo e gerando mais valor, mas, muitas vezes, não é o que acontece. São muitos os casos de empreendedores que se inebriam com o sucesso, sobem no alto-alto, perdem o foco e acabam em maus lençóis. O que fazer para evitar que isso aconteça? Como não perder as virtudes que proporcionaram esse sucesso em um primeiro momento?

Com a palavra, Mario Chady, sócio do Grupo Trigo e Empreendedor Endeavor. Ele acumulou grandes aprendizados sobre os efeitos nocivos que o sucesso pode ter sobre os negócios, e agora compartilha com você.

Então, o sucesso veio. A espiral positiva se instalou numa empresa. O que fazer para não perder o foco?

Acho que tão importante quanto saber o que fazer, é saber o que não fazer. É saber distinguir os extremos de oportunidade — do extremo de oportunidade boa ao extremo ruim, e tudo o que há pelo meio. O extremo bom é aquele em que a empresa já está familiarizada com uma atividade fim, que causa alto impacto e que é de baixa complexidade, com baixo investimento financeiro relativo. Por outro lado, o extremo do que não fazer é o da oportunidade ruim. Baixo histórico interno, baixo impacto e alta complexidade e alto investimento.

De um extremo ao outro, o empreendedor vai “brincando” com essas variáveis, com esses quatro fatores: complexidade, investimento, impacto e conhecimento. Eles nunca devem sair do radar de um gestor. Principalmente quando essa espiral positiva está bem-sucedida, pois, sem foco e controle, o risco de se chegar ao “extremo ruim” da oportunidade é enorme.

Pode citar algum exemplo?

Claro. Temos a nossa fábrica de massa e molho, e ela desempenha bem. Então, perguntamos: por que não produzir massa e molho para supermercado? A complexidade deve ser média, porque muita gente faz, o investimento é baixo e, teoricamente, tem alto impacto.

Mas o conhecimento interno nosso é zero. Nunca lidamos com canais de supermercados, somente atuamos em food service (restaurantes). Então, esse baixo conhecimento passa a ser um filtro, pois se trata de um novo canal, um que não conhecemos.

O que você considera dar um passo maior do que as pernas? 

Para mim, é arriscar tudo o que você tem por aquilo que você ainda não tem.

E como é isso?

É você se endividar de uma maneira extremamente agressiva para fazer uma aquisição ou outro movimento qualquer, em um país onde a dívida é cara e sempre de curto prazo.

Pergunto: vale a pena fazer isso? É uma provocação que proponho, porque a resposta não é exata. Depende de uma infinidade de fatores, que são os internos, específicos de cada empresa, e os externos, aos quais todas estão sujeitas. Assim, será que não é melhor arriscar, sem se expor ao risco de perder tudo?

É uma provocação, mesmo. Porque é comum que o empreendedor, em um momento bom, olhe só para os seus ativos internos, sem considerar que pode vir uma porrada externa.

E em relação à emoção? Como se preparar emocionalmente para o sucesso?

Costumo dizer que tombo alto leva quem está de salto-alto. Quando o empreendedor acha que “está podendo”, é a hora de ele se machucar. É a diferença tremenda entre “crescer por ego” e “crescer por vontade de construir”.

Quando você começa a crescer movido por motivos só pessoais e não pela vontade de construir algo maior, com valores e uma causa clara e com o objetivo de multiplicar e dividir com seu time, aí será o começo do seu fim.

Para mim, existem três fatores fundamentais para evitar isso: humildade, auto-questionamento e ouvir muito quem está do lado.

Isso vem da experiência própria?

Sim. No meu caso, tive a “vantagem” de, na minha primeira fase empreendedora, quebrar. Então, penso que quem passou por uma situação dessa fica com a cicatriz marcada. E ela não sai nunca.

É um sinal de alerta, essa cicatriz. Para toda e qualquer questão vinculada à palavra sucesso. A minha relação com essa palavra, aliás, é adversa. Quando ouço alguém dizendo “que sucesso!”, tendo a torcer o nariz.

Leia mais: Day 1 | Histórias que inspiram sucesso [Spoleto]

Por exemplo, a gente construiu um restaurante no estilo “casual dining” agora, depois de 16 anos sem montar nenhum nesse padrão. Vai indo muito bem. A espera às sextas e sábados tem sido de 25 mesas, em média.

Então, fui bater um papo com toda a equipe do restaurante. E perguntei:

“Quem aí já trabalhou em restaurante de muito sucesso antes do nosso?” 80% do pessoal levantou a mão. “E quem viu um restaurante que, mesmo depois do sucesso, chegou num ponto em que só havia cinco pessoas num sábado à noite?” Dois levantaram a mão. Eu entre eles.

Isso pode acontecer. Por isso, sempre insisto nessa questão do salto-alto com as equipes, da importância de valorizar cada cliente como se fosse único.

Na realidade, a gente tem que agradecer sempre pelo fato de que os clientes estão nos prestigiando. Porque as coisas podem mudar da noite pro dia. Basta a gente subir no salto. E isso vale para qualquer área ou qualquer momento de uma empresa. Porque o sucesso de ontem só garante uma coisa: maior desafio amanhã.

Leia mais:

7 cases inspiradores de sucesso

A Endeavor é a organização líder no apoio a empreendedores de alto impacto ao redor do mundo. Presente em mais de 20 países, e com 8 escritórios em diversas regiões do Brasil.

Acreditamos que a força do exemplo é o caminho para multiplicar empreendedores que transformam o Brasil e por isso trazemos aprendizados práticos e histórias de superação de grandes nomes do empreendedorismo para que se disseminem e ajudem empreendedores a transformarem seus sonhos grandes e negócios de alto impacto.

Deixe seu comentário

Parceiros
Criação e desenvolvimento: