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Como as empreendedoras de alto impacto podem contribuir para a igualdade de gêneros

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Como as empreendedoras de alto impacto podem contribuir para a igualdade de gêneros

O mais recente relatório da ONU sobre o IDH não só indicou estagnação do país; mostrou também que o caminho até a igualdade de gênero é mais longo do que imaginávamos. Precisamos de mais exemplos de empreendedoras de alto impacto para estimular as mulheres a pensar grande.

Na semana passada, a ONU divulgou o relatório do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) relativo a 2015. Para os brasileiros, a notícia não foi nada animadora: após doze anos de avanços, o país estacionou em 0,754 (quanto mais próximo de 1, melhor o desenvolvimento), o mesmo índice de 2014. Com isso, o Brasil manteve-se na 79ª posição do ranking, entre 188 países avaliados.

Ainda que a estagnação no índice geral seja ruim, há notícias piores no índice de igualdade de gênero, divulgado no mesmo relatório da ONU. Nesse quesito, estamos ainda mais no fim da lista, na 92ª posição. Resultado, por exemplo, de alguns índices vexaminosos, como os 10,8% de mulheres no Congresso Nacional (153ª posição). Para se ter uma ideia, a representatividade feminina chega a 40,6% no México e a 37,1% na Argentina.

A situação no poder público é dramática, sem dúvida; mas o cenário cá pros nossos lados corporativos não é muito diferente. De acordo com uma pesquisa da Grant Thornton IBR, em 2015, somente 19% dos cargos de liderança em empresas do país eram ocupados por mulheres. Se olharmos para as mulheres que ocupam cargos de CEO, este índice cai bastante: apenas 9%.

No ecossistema empreendedor, uma primeira leitura dos dados pode até dar a entender que a desigualdade é menor, já que, segundo o Estudo Scale-ups no Brasil de 2015 (realizado pela Endeavor e pela Neoway), 4 em cada 10 empreendedores são mulheres. No entanto, quando falamos das scale-ups, as empresas que apresentam alto crescimento, geram muito impacto na economia e são responsáveis por metade dos novos empregos, esse índice cai para apenas 3 em cada 10.

Nunca precisamos tanto de emprendedoras de alto impacto

Esses números pouco animadores tornam ainda mais relevante uma mobilização pela redução dessas desigualdades. Uma ação que passa, necessariamente, pela multiplicação de lideranças femininas, de seus exemplos, algo que pode ser incentivado pelo trabalho de mulheres que já estão na linha de frente, empreendendo.

Na FortBrasil, uma empresa que oferece serviços financeiros para as classes C e D, liderada pela Empreendedora Endeavor Juliana Freitas, 60% dos cargos de gestão são ocupados por mulheres. “Sinto que meu papel é o de empoderar as mulheres para que elas se sintam capazes e encorajadas a assumirem cargos de liderança dentro da companhia”, contou ela em uma entrevista ao Portal Endeavor no começo do mês.

É um trabalho que começa desde a infância. “Temos que começar a educar as crianças de maneira diferente. A família tem papel fundamental: se você tem um casal de filhos e fala para a menina que ela tem que casar e para o menino, que ele tem que tocar os negócios, a menina não terá o mesmo sonho de empreender”, diz ela.

Mas o que essas mulheres de alto impacto têm em comum?

Por mais diferentes que sejam as histórias, os setores em que atuam e as motivações dessas empreendedoras, algumas características são comuns a elas — capacidades que são fundamentais para gerar transformações tão necessárias em nosso país, como a resiliência e o fôlego incansável para superar os obstáculos. Zica Assis, empreendedora do Beleza Natural, uma rede de salões que se prepara para abrir sua primeira filial no exterior, em Nova York, passou dez anos fazendo testes no quintal de sua casa, no subúrbio do Rio, até criar uma fórmula de creme super-relaxante para cabelos crespos.

E Zica não era química: ela foi babá, faxineira, vendedora. Mas tinha o sonho de criar um produto que permitisse que mulheres de cabelos crespos, como ela, pudessem balançar seus cachos livremente. Depois de anos tentando, conseguiu. A força do novo produto conquistou sua amiga, Leila Velez, que, aos 19 anos, juntou-se a ela para criar o Instituto Beleza Natural. Hoje, a empresa já conta com mais de 40 unidades de negócio em todo o país.

Coragem para dar o salto no escuro

Outra característica das empreendedoras de alto impacto é a capacidade de enfrentar riscos por um sonho grande. Como fez a jornalista Maristela Mafei: em 1995, logo após deixar o cargo de repórter na Folha de S.Paulo, ela sacou R$ 800 do FGTS para investir na Máquina da Notícia, sua recém-aberta empresa de assessoria de imprensa.

Mas, naquele mesmo dia, Maristela foi assaltada. Levaram o “capital inicial” e o carro, que sequer tinha seguro. A saída foi vender um dos poucos bens que a empreendedora tinha, uma linha telefônica residencial. O dinheiro da transação permitiu que Maristela levasse a Máquina para uma salinha de 6m2, fazendo o negócio rodar até girar a receita.

E girou. A Máquina da Notícia virou Grupo Máquina. Recentemente, a empresa foi adquirida pelo WPP, líder mundial em publicidade e relações públicas, transformando-se em Máquina Cohn & Wolfe.

E, claro, acreditar no sonho grande

A crença de que o sonho grande pode se realizar também está no DNA dessas mulheres. Que o diga Fabiana Salles, da Gesto: o sonho dela sempre foi o de resolver um problema gravíssimo, que é o da assistência médica privada no país.

E desde a época da faculdade, quando acompanhou a mãe em um exame de eletrocardiograma e constatou que o processo era complicado e desconfortável, ela vem buscando concretizar esse sonho. O resultado é uma história, que você precisa conhecer melhor, mas que pode ser resumida pela seguinte declaração de Fabiana:

“Quero ser lembrada como uma das primeiras pessoas que despertaram o debate e levantaram a bola de um modelo de negócios diferente para transformar a área da saúde. E que não pensou só em rentabilidade, mas também em propósito. Mas, por favor, não quero ser a única!”

Muito além da lembrança

Diante daquele preocupante cenário apresentado pela ONU, empreendedoras de alto impacto como a Zica, Maristela Mafei e Fabiana Salles, que crescem, geram empregos e atuam para transformar o cenário em que vivem, tornam-se fundamentais para corrigirmos essa estatística. Que suas trajetórias de superação e resiliência inspirem cada vez mais mulheres a realizar seus sonhos grandes e gerar impacto.

Porque precisamos urgentemente construir um país menos desigual. Afinal, parafraseando a resposta do primeiro ministro canadense Justin Trudeau a um repórter que perguntou sobre os motivos da composição de um governo com 50% de homens e 50% de mulheres: “Já estamos em 2017”.

Para se aprofundar, leia também:

8 livros para mulheres de alto impacto

Não esperemos um século: 3 maneiras de reduzir a desigualdade de gênero

, Endeavor Brasil, Diretora de Cultura Empreendedora
Líder do time de Cultura Empreendedora da Endeavor Brasil.

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