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Demissão: um percurso que exige cuidados redobrados

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Um dos maiores desafios dos empreendedores, principalmente em tempos de crise, é saber como e quando começar um processo de demissão. Veja quais pontos merecem mais atenção.

Tempos difíceis, de fortes restrições econômicas, mercadológicas, de crédito e de perspectivas futuras exigem que as organizações apertem os cintos e ajustem suas operações à realidade em que vivem. Esses ajustes implicam, principalmente, em um dimensionamento realista da força de trabalho. Dimensionar, realizar ajustes necessários, prever impactos financeiros, legais e motivacionais não são tarefas fáceis de serem conduzidas. Muitas dessas situações esbarram em pontos delicados, tanto do ponto de vista emocional/motivacional, quanto do ponto de vista financeiro,  como as tão temidas demissões.

Demitir, na cultura brasileira, que é essencialmente relacional, é uma tarefa gerencial das mais árduas. Por mais preparado que se tenha, há sempre o imponderável e o imprevisível que, por vezes, desmancha todo o planejamento. Eu me lembro aqui de um amigo, empreendedor, que, no início de 2016, precisava reduzir cerca de 35% do custo total de sua folha de pagamento. Após analisar as perspectivas do negócio, o tamanho/custo do time, as competências instaladas, o desempenho individual e as alternativas possíveis, decidiu por desligar uma gerente que representava seu maior custo individual, além de alguns outros empregados que já vinham apresentando problemas de desempenho.

Leia também: Demitir funcionários nunca foi fácil, mas essas dicas podem te ajudar

Com essa decisão, ele conseguiria retomar sua produtividade máxima para o momento e ainda preservaria parte da equipe que foi treinada para dominar uma nova tecnologia que garantiria diferencial competitivo para a sua organização em tempos tão difíceis. Uma vez preparado para a reunião de desligamento, chamou a profissional e antes mesmo que começasse a conversa ela disse: “eu sei que você me chamou aqui para me desligar, mas antes que fale sobre isso quero te informar que estou grávida”.

Ele não estava preparado para essa hipótese, mas não lhe sobrou outra alternativa que não fosse demitir a mulher, o que lhe custou muito mais do que o previsto e impactou de forma significativa o prazo de retorno quanto ao desencaixe de recursos do caixa. Além do impacto financeiro não esperado ele teve que conviver também com um impacto emocional não previsto para ele mesmo e para o restante do time. Para o empreendedor ficou um sentimento de “traição”, uma vez que a profissional em questão era considerada de sua total confiança. Para o time ficou um sentimento de inadequação de todo o processo.

Eu reforço:demissões são sempre onerosas e, no Brasil, esse processo é muito, muito caro.

Em condições absolutamente previsíveis, sem custos adicionais ao previsto pela legislação (saldo de salário, % de férias, % de 13º salário, 40% do FGTS mais 10% do FGTS e outros) fazer um processo de demissão, principalmente se for em grande número, exige um bom planejamento financeiro para que a organização possa realmente obter economia e usufruir, após algum tempo – geralmente de 3 a 5 meses – dos benefícios do valor total retirado da folha de pagamento. No entanto, se estivermos falando de processos de desligamento que chegam à justiça do trabalho, esse custo, que já não é pequeno, pode ser elevado de forma estratosférica.

Questões não observadas no dia a dia, como horas extras, viagens, intervalos e outros poderão impactar diretamente nos valores de rescisão e, pior, tornarem esses processos referenciais para outros empregados que queiram seguir o mesmo caminho. Infelizmente, temos uma indústria de ações trabalhistas que envolve uma legislação ultrapassada e paternalista, advogados treinados para o mau uso das oportunidades que essa legislação traz, gestores despreparados para conduzirem o dia a dia de forma a minimizar riscos futuros e instituições trabalhistas como a justiça do trabalho e o Ministério Público do Trabalho que ainda atuam com, forte viés ideológico considerando o empreendedor como explorador dos empregados.

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Como se não bastasse o custo financeiro, a empresa também precisa se preocupar com o custo emocional/motivacional que esses processos trazem. Processos de desligamento coletivo, sem dúvida alguma, trazem forte insegurança para o ambiente organizacional, impactando na produtividade e no comportamento coletivo. Um time preocupado com sua própria estabilidade deixa de colocar toda a sua energia e entusiasmo no trabalho, o que geralmente impacta no desempenho individual e organizacional, fazendo com que os resultados extraordinários, tão necessários em momentos de crise, não tenham a menor chance de se tornarem possíveis.

Por todos esses motivos, cuidar para que um desligamento seja bem feito é muito mais do que necessário, é um imperativo. Para tentar facilitar essa tarefa difícil, seguem algumas dicas que poderão minimizar as consequências indesejáveis desses processos:

1. Planejar

Realize estudos que permitam o domínio dos números, dos impactos, do nível de perda de conhecimento, das alternativas de reposição desses conhecimentos e competências – se e quando necessária, do nível de risco trabalhista, do mapa de mitigação desses riscos, dos envolvidos no processo e das informações individuais relevantes de quem será demitido e de quem fará o processo de demissão;

2. Esteja preparado:

Tenha o domínio do fluxo, da documentação, dos encaminhamentos necessários, dos valores envolvidos, dos direitos legais e dos benefícios que estão sendo concedidos, ou não, por sua organização. Estar preparado é ter respostas para as principais perguntas e saber o que fazer e como fazer;

3. Seja cuidadoso na execução

Cuide dos detalhes, separe um local para que a conversa aconteça sem interrupções, esteja preparado para as mais diversas reações possíveis, desde choro a ameaças. Saiba como irá reagir a cada possibilidade. Seja objetivo, firme, coerente e consistente na condução. Essa não é uma boa hora para discutir a relação, muito menos para conversas intermináveis. Nunca faça desligamentos coletivos, por telefone ou por email. Lembre-se que uma demissão é uma rescisão de contrato e como em todo contrato, está amparada em bases legais que protegem as partes de conduções indevidas.

4. Seja respeitoso na finalização

Essa é talvez a parte mais difícil, momento em que você precisará pegar de volta itens que pertencem à empresa como crachá, telefone celular, computador, documentos e outros. Não deixe para depois. É mesmo constrangedor e difícil, por isso mesmo precisa ser rápido e acabar logo, para não virar uma longa novela futura. Acredite, é o melhor para todos; e

5. Continue a trabalhar

Reúna o time, explique o processo, as motivações, os critérios (sem precisar entrar em detalhes que não devam ou possam ser compartilhados), o que está previsto para daí em diante, etc. Cuide para que as pessoas consigam voltar mais rapidamente a sua rotina normal. Processos mal compreendidos geram dias e dias de discussões e questionamentos, com perdas efetivas de motivação e desempenho.

Espero, com toda a esperança, que o seu desafio maior nesse momento seja contratação de pessoas. Mas se a dura realidade que vivemos, com cerca de 12 milhões de desempregados, estiver batendo à sua porta, espero que esse texto possa ajudá-lo a agir de forma correta tanto para a sua organização quanto para quem será desligado. Afinal, crises passam, bons profissionais podem retornar em tempos melhores e a organização precisa continuar enfrentando o desafio permanente de sobreviver, crescer e perpetuar.

, Mendes Junior, Vice Presidente
Livia Sant’Ana é coordenadora do MBA em RH com ênfase em Consultoria Interna e Desenvolvimento Organizacional do B.I. International.

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