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Empreendedores começam descascando batatas

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Bons empreendedores começam descascando batatas

Ouvir minha família falar sobre a divisão de tarefas na cozinha para esse feriado de Ação de Graças, incluindo quem iria descascar as batatas, me lembrou que a maioria das carreiras empreendedoras começa assim, descascando batatas.

Patrulha da Cozinha – PC

Uma das mais icônicas punições do treinamento básico militar era ser ameaçado por seus instrutores a ter que fazer PC – Patrulha da Cozinha – como penalidade por ter quebrado alguma regra. Se você foi designado para PC, você era enviado para a cozinha da base e tinha que descascar batatas durante todo o dia, para todos os soldados da base. Era um trabalho entediante. Mas, para minha surpresa, descobri que não era a experiência temível que nossos instrutores de treinamento diziam ser.

Ao trabalhar no refeitório, acabei abrindo os olhos para algo que normalmente eu não dava muita importância – como cozinhar três refeições por dia para 10.000 pessoas. Descascar batatas era uma pequena parte das milhares de coisas que tinham que ocorrer corretamente todos os dias para manter nossos 10.000 soldados alimentados.

Uma das minhas primeiras lições de carreira: não negligencie a o valor de um produto final, aprecie a complexidade do sistema que o produziu.

Soluções a partir de experiências próprias

Quando comecei meu primeiro trabalho na base aérea, tive que carregar e descarregar caixas de eletrônicos em aviões de combate, sob o sol da Tailândia, para trazê-las para os técnicos que trabalhavam na oficina com ar-condicionado, para reparos e consertos. A coisa que mais temíamos ouvir dos técnicos era que “essa caixa está ok, deve ser um problema de fiação”. Isso significava voltar à aeronave para tentar encontrar um pino dobrado em um conector, ou um cabo faltante, ou uma antena ruim. Isso significava engatinhar sobre, sob e dentro da fuselagem de um avião, na temperatura de um forno. Dependendo do tipo de aeronave (F-4, F-105, ou A-7 – o pior), isso poderia levar horas ou dias, até descobrir onde estava o problema.

Alguns meses depois, me tornei o cara na oficina com ar-condicionado, dizendo a meus amigos na linha de frente do avião: “a caixa estava ok, deve ser algum cabo”. Tendo estado do outro lado há pouco tempo, eu entendia o trabalho que aquela frase significava. Levou algumas semanas com esse tipo de interação, mas finalmente percebi que havia algo faltando entre os manuais de reparo (descrevendo como consertar os eletrônicos) e os manuais das aeronaves (descrevendo os pinos externos dos cabos): não havia ferramentas para simplificar a tarefa de encontrar cabos rompidos no trabalho no avião.

Agora, com um pouco mais de entendimento sobre o problema do sistema, não demorou muito para eu verificar o diagrama de fiação das aeronaves para bolar uma série de conectores para fazer simulações e simplificar o processo de identificação de problemas. Passei a solução adiante para meus amigos e, por mais que o trabalho de encontrar cabos rompidos em uma aeronave ainda fosse desagradável, passou a ser consideravelmente mais rápido.

Minha próxima lição de carreira: se eu não tivesse passado pelo trabalho miserável, frustrante e calorento na linha de frente, eu nunca saberia que esse era um problema relevante a ser resolvido.

Ascensão da base para o topo

Minha carreira em startups começou na base, instalando equipamentos de controle de processos em fábricas de montagem e engenhos de aço (sempre admirando a complexidade dos sistemas que criavam os produtos finais). Eu escrevia manuais técnicos e ensinava design de microprocessadores (a clientes que sabiam mais do que eu). Eu trabalhava semanas sem descanso, respondendo a Requerimentos para Propostas (RFPs, em inglês) de clientes. Eu desenhava stands de feiras, passava longas noites os montando, e vários dias trabalhando neles durante as feiras.

Por dez longos anos, escrevi panfletos corporativos (fazendo a felicidade de departamentos legais, financeiros e de vendas), apresentações de venda (tecendo o fio entre vendas, marketing, verdade e competição), relatórios de informações, sites, análises competitivas, comunicados à imprensa (obtendo um diploma em redação criativa sem ter estudado inglês na faculdade) e passei por centenas de reuniões com clientes, de olhos vermelhos e de última hora (fazendo agentes de venda cada vez mais ricos e ganhando muito apreço por suas habilidades).

Trabalhando com o setor de engenharia, eu tentava entender o que os consumidores realmente queriam, precisavam e estavam dispostos a pagar por, em vez de saber o que realmente conseguíamos produzir e entregar. Eu também aprendia a diferença entre um bom engenheiro e trabalhar na presença de um gênio. Na corrida para a primeira entrega aos consumidores, eu dormi noites sob a mesa do meu escritório, assim como fazia meu time de engenheiros.

Cada um desses trabalhos medíocres, entediantes e exaustivos, me fazia entender como eles eram difíceis.

Cada um me fazia apreciar a complexidade dos sistemas (sendo que as pessoas eram o aspecto mais valioso deles) que faziam das empresas bem-sucedidas. Isso me fez entender que eles eram possíveis de serem realizados, resolvidos e vencidos.

Demorou uma década até que eu conseguisse chegar ao cargo de vice-presidente de marketing, e então CEO. Quando isso aconteceu, eu sabia exatamente o que cada um dos serviços em meu departamento faziam, porque eu já tinha exercido todos eles. Eu sabia o que era necessário para fazer esses serviços (e também para fracassar neles), e agora eu encorajava as pessoas que trabalhavam para mim a trabalhar tão duro quanto eu trabalhei.

Lições de carreira aprendidas:

      • Ganhar no jogo do empreendedorismo é para pessoas que fazem, não para pessoas que teorizam;
      • Construir uma companhia em toda sua complexidade é uma tarefa impossível de ser resolvida por um computador;
      • Não há um atalho para sujar suas mãos. Ler histórias sobre o sucesso do Facebook, ou blogs sobre os segredos de SEO pode até fazer com que você se sinta mais esperto(a), mas não vai te fazer mais habilidoso(a).
      • A não ser que você tenha uma tonelada de experiência (o que inclui fracasso) em uma ampla gama de áreas, você está apenas adivinhando.
      • Grandes carreiras começam descascando batatas.

Artigo originalmente publicado no blog do Steve Blank

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Steve Blank é um empreendedor serial que se tornou educador e está mudando a forma como startups são construídas e como empreendedorismo é ensinado. Ele criou a metodologia Customer Development (Desenvolvimento de Cliente), que gerou o movimento Lean Startup, e escreveu sobre o processo em seu primeiro livro, Os Quatro Passos para a Epifania. Seu segundo livro, Startup: Manual do Empreendedor, é um guia passo a passo para montar um negócio de sucesso. Blank já deu aula em Stanford University, U.C. Berkeley, UCSF, NYU, Columbia University, the National Science Foundation e the National Institutes of Health. Ele escreve regularmente sobre empreendedorismo em www.steveblank.com.

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1 Comentário

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    Que história incrivel!!!

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