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O bom samaritano e o empreendedor

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Ser um empreendedor é algo frequentemente glamourizado, mas na verdade, começar e tocar um negócio é difícil e requer determinação e perseverança.

Na vida de qualquer empreendedor, o sucesso não é garantido, mas pressão e estresse sim. A pressão e o estresse podem diminuir e desaparecer, mas quase todo empreendedor irá encontrar desafios que parecem não ter solução uma vez ou outra. Eu encontrei esses desafios diversas vezes nos meus quinze anos de abertura de negócios.

O empreendedor renomado e investidor de risco Ben Horowitz resume o sentimento de encarar um abismo de dificuldades, sem um final à vista, no blog post The Struggle (A Luta) que já é familiar para milhares de empreendedores.

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A questão crucial nesses momentos de luta é: o que realmente te motiva e direciona? Quando você está preso no abismo, o que te guia? Quando parece que o mundo está contra você, o que te faz sair da cama e encarar um novo dia?

Em meus primeiros momentos de empreendedorismo, meus objetivos eram auto-orientados — típicos de um americano novo e ambicioso. Seis meses depois da graduação, larguei meu trabalho como engenheiro para abrir uma empresa com alguns amigos. Nós criamos uma tecnologia que nos permitia fazer músicas personalizadas para crianças e que integrava facilmente o nome delas ao longo das músicas.

Eu amo música, tecnologia e crianças, então sentia que essa startup era uma forma de seguir minhas próprias paixões e fazer algo que eu amava. Eu queria um desafio. Queria crescer, ser financeiramente independente e controlar meu próprio destino. Metas auto-orientadas são legitimamente motivadoras e não são intrinsecamente ruins. Mas, de acordo com minha experiência, elas só te levam até parte do caminho.

Elas formam uma imagem incompleta do que cria uma vida satisfatória. Como o negócio de músicas personalizadas lutava para chegar ao próximo patamar, minhas metas originais não eram significativas o suficiente para justificar nossa perseverança contínua. Por volta dessa mesma época, me vi atraído pela ideia de que negócios e tecnologia poderiam ser potencializados para atingir grandes problemas sociais.

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Em vez de continuar a trabalhar no negócio de músicas personalizadas, eu me inscrevi em uma faculdade de administração na esperança de me inserir no mundo do empreendimento social. Isso eventualmente me levou a cofundar a d.light, que acabou impactando mais de 55 milhões de pessoas em 60 países.

Há muitos momentos ao longo do caminho em que parecia pouco provável que a d.light pudesse algum dia sair do papel e muitos momentos em que eu pensava inclusive se fazia sentido continuar. Mas, apesar das chances aparentemente difíceis, meus companheiros de negócio e eu nos mantivemos firmes.

Depois de dez anos de trabalho duro, suor e lágrimas, fomos capazes de atrair empregados e parceiros incríveis para a causa; construímos algo que está mudando a vida de milhões de pessoas no mundo em desenvolvimento. Minhas metas e princípios, quando são auto-centrados, são passageiros em momentos mais difíceis; quanto mais auto-centrados eles são, na verdade, mais passageiros eles são. Quanto mais solidários são meus objetivos e princípios, mais eles tendem a perdurar.

Quando nossos objetivos são guiados pelo desejo de servir a outras pessoas, eles têm uma profundidade completamente diferente de poder.

Muitos de nós começamos pela vontade de criar um mundo melhor para nossas famílias. Isso é certamente mais significativo e orienta pessoas no sentido de conseguir coisas incríveis e superar inúmeros percalços. Lembro-me de meu pai que sacrificou tudo que lhe era familiar e seguro ao imigrar para os Estados Unidos para criar oportunidades melhores para sua família. De forma semelhante, eu também continuo a me impressionar e me inspirar pelos sacrifícios que nossos clientes fazem para dar um futuro melhor para suas crianças.

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Mas e se dedicássemos nossas ambições profissionais a pessoas fora de nosso círculo imediato de familiares e amigos, ou talvez até mesmo a estranhos? Na Bíblia, Jesus ensina a “amar o próximo como a si mesmo”. Ele responde a provocativa e importante questão de saber ‘quem é meu próximo?’ com uma resposta altamente subversiva: a história do Bom Samaritano.

O Bom Samaritano não é apenas alguém que é bondoso com outros seres humanos que passam necessidade. Na verdade, ele é alguém que consegue superar barreiras raciais e culturais, bem como preconceitos socialmente aceitos, com o objetivo de demonstrar amor e bondade a alguém que é diferente – e até mesmo considerado um inimigo.

Essa visão mais abrangente do “próximo” que devemos amar é particularmente importante hoje em dia. Apesar das redes sociais e outras tecnologias modernas fazerem com que o mundo pareça bem menor, por outro lado, desigualdades socioeconômicas estão aumentando em um ritmo assustador. Para mim, a vontade de ser uma boa pessoa e amar famílias que vivem marginalizadas me motivou a perseverar em tempos difíceis.

Quando tenho certeza do porquê estar fazendo alguma coisa, o o quê e o como eventualmente aparecem — mesmo se eu estiver exausto e me sentindo longe da minha área de especialidade.

Há duas semanas, visitei alguns clientes no Quênia que queriam usar nosso produto solar mais recente. A experiência pareceu um raio de eletricidade em meu sistema nervoso. Ver de perto o impacto positivo da d.light alimenta meu desejo de continuar perseverando. Todas as dificuldades e obstáculos que tivemos que superar são passageiros. O que permanece, que é muito mais satisfatório e duradouro, são as milhões de vidas que estamos mudando para melhor.

O conteúdo original, escrito por Ned Tozun, você encontra aqui.

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O Unreasonable Institute é um programa de 5 semanas para empreendedores que estão solucionando os maiores problemas do mundo. São doze empreendedores de todas as partes do mundo que vão para o Colorado, nos EUA, onde eles são conectados com mentores e investidores e têm acesso aos recursos necessários para escalar seu impacto.

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