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Bem-estar: o longo caminho curto para obter resultados

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Em vez de exigir que a equipe tenha o mesmo nível de engajamento que o seu, saiba por que faz muito mais sentido criar condições para o bem-estar dos colaboradores.

Empreendedores de alto impacto são pessoas comprometidas até a medula com seus negócios. São notórias a sua capacidade de esforço continuado e a sua perseverança na obtenção de resultados. Histórias de sucesso empresarial comumente vêm acompanhadas de histórias de imenso sacrifício pessoal e de superação, que servem para alimentar o mito do herói.

Nas minhas conversas com empreendedores, sou sempre questionado sobre como obter esse mesmo grau de comprometimento de suas equipes. Indagam-me em relação ao que precisam fazer para que as pessoas que escolhem para estar ao seu lado no projeto de sua vida tenham ao menos uma fração de seu raro nível de engajamento. A minha resposta é que é injusto pedir isso delas. Se elas tivessem essa capacidade de sacrifício e disposição para correr riscos, seriam empreendedoras, não funcionárias. A mesma lógica não se aplica a elas.

Pessoas “normais”, que não têm o sucesso de um empreendimento como prioridade #1, #2 e #3 em sua vida, seguem outra lógica: elas buscam o equilíbrio entre conforto e satisfação. E olham para isso de forma multidimensional. Para algumas, satisfação significa sucesso profissional. Para outras, significa fortes conexões familiares. Para outras, ainda, contato com a arte ou com a natureza. E conforto significa, na imensa maior parte das vezes, apenas uma vida normal.

Por mais frustrante que isso possa parecer para alguém que fez all in em um empreendimento, não adianta ficar bravo, nem ficar trocando pessoas até a exaustão, buscando aquelas que tenham um nível de engajamento próximo do seu. Assim provavelmente não vai funcionar. Faz muito mais sentido extrair de cada uma o que ela tem de melhor e entender que o essencial é que exista sinergia nos projetos de vida, sendo a empresa veículo para a felicidade das pessoas (na forma que cada uma valoriza) e as pessoas para o sucesso do negócio.

Pesquisas na área da economia comportamental demonstram que existe um enorme valor em ter uma estratégia de promoção do bem-estar na organização. O valor econômico das empresas bem posicionadas nos índices do tipo Melhores para se trabalhar é substancialmente superior, na média, ao dos concorrentes não listados. E isso não é coincidência.

No estudo The Economics of Wellbeing, publicado em 2010, dois pesquisadores da Gallup chamados Tom Rath e Jim Hartner apresentam alguns indicadores impressionantes. Entre eles, o de que o custo total com serviços médicos de pessoas que se encontram felizes e motivadas chega a ser 64% menor que o de pessoas que se encontram em estado de stress elevado no trabalho. Tente imaginar o impacto disso sobre qualidade, rotatividade, absenteísmo e produtividade e o meu argumento ficará claro.

Mas, afinal, o que é bem-estar? Bem-estar é quando as pessoas sentem que existe um equilíbrio multidimensional entre conforto e satisfação em sua vida. Isso inclui:

1.       Bem-estar no trabalho. Quando se sentem bem trabalhando. Quando seu trabalho e o ambiente de trabalho lhes trazem prazer e satisfação pelo que produzem.

2.       Bem-estar social. Quando possuem relações amorosas e sociais fortes em suas vidas.

3.       Bem-estar econômico. Quando conseguem gerenciar suas finanças de modo a reduzir o stress e aumentar a segurança.

4.       Bem-estar físico. Quando possuem energia vital para trabalhar e participar dos outros aspectos da sua vida de forma sustentável.

5.       Bem-estar espiritual. Quando se sentem conectados com a comunidade ao seu redor, e com algo maior.

Por que isso é vital? Pessoas que sentem suas vidas equilibradas em todas as dimensões se permitem estar presentes no aqui e agora. Entram em estado de fluxo mais facilmente. Mantém seu desempenho alto por mais tempo. Cansam-se menos. São mais resilientes. Faltam menos. Ficam menos doentes. Tem um turnover menor. Entregam de forma mais consistente.

Em vez de estimular o conflito, o desequilíbrio, um bom líder cria condições e luta para que as pessoas que lidera tenham bem-estar. Aos primeiros sintomas de doença, mental ou física, fica alerta e cria espaço para diálogos francos, mesmo que difíceis, sobre que ações devem ser tomadas. É capaz de lidar com a confidencialidade e ter a delicadeza que algumas situações exigem. Um bom líder vê bem-estar como sinal de sucesso, como o longo caminho curto para resultados crescentes e sustentáveis.

 

Daniel Castello é consultor em estratégia e gestão de pessoas

, Consultor
Consultor e Palestrante nas áreas de Estratégia e Gestão de Pessoas. Começou sua carreira na área de TI, fundando em 1989 a startup Iris do Brasil, vendida em 1997 para a ADP Systems. Foi Diretor da Gestech Consultoria Empresarial, Diretor Corporativo de RH da Gazeta Mercantil, Diretor de Tecnologia da ADP Brasil e Vice-Presidente Executivo da ABRH Nacional. Como consultor liderou dezenas de projetos de transformação, tendo entre seus clientes: Syngenta, Baxter, GRSA, Gruppo Campari, Grupo Santander, AON Affinity, Banco Daimler-Chrysler, Mapfre Seguros, Grupo Telefónica, Martin-Brower, McLane, Termomecânica, UAB Motors e FIEP. Consultor Associado na Tempo Zero e na Galunion. Consultor Certificado DISC eTalent. Membro do CORHALE, na ABRH Nacional. Conselheiro da ABRH-SP e da Sobratt.
http://daniel.castello.com.br

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