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As últimas palavras do homem pós-industrial

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Você já parou para pensar em como a dedicação integral exigida por sua empresa impacta sua vida e a dos que estão ao seu lado?

Bronnie Ware é uma escritora australiana que por anos trabalhou com cuidados paliativos. Confortava pacientes que iam para casa morrer. Em janeiro deste ano, ela escreveu um artigo chamado “Os 5 maiores arrependimentos de quem está morrendo”. O segundo arrependimento da lista é “Eu gostaria de não ter trabalhado tão duro”.

“Isso veio de todo paciente homem de quem cuidei”, escreveu ela. Dos outros arrependimentos, pelo menos um está ligado ao trabalho: “Gostaria de ter tido a coragem de viver uma vida fiel a mim mesmo; não a vida que os outros esperavam de mim”.

O que Bronnie ouvia eram as últimas palavras do homem pós-industrial, transformado em uma peça de engrenagem. Seus pacientes eram australianos, mas devíamos lhes dar ouvidos. Um levantamento internacional de 2011 posicionou os executivos brasileiros entre os mais insatisfeitos do mundo com o equilíbrio entre vida familiar e dedicação profissional. Na média global, 27% dos homens e 29% das mulheres se dizem totalmente satisfeitos com esse equilíbrio. No Brasil, esses números caem para 12% e 13%. A expansão da economia e a utilização de novas tecnologias estão entre os fatores que podem explicar o aumento da carga horária nas empresas do país.

De acordo com um levantamento da Neverfail, uma empresa de software especializada em proteção de dados, 83% dos profissionais americanos checam e-mails depois do trabalho. Dois terços levam um smartphone ou laptop consigo nas férias. Mais de 50% têm como praxe enviar e-mails durante refeições com a família. Soa familiar para você?

Sheryl Sandberg, chefe de operações do Facebook, gerou um debate riquíssimo em abril deste ano ao revelar que deixa o escritório todo dia às 17h30 para jantar com os filhos. Mesmo para uma mulher tão bem-sucedida como Sheryl, braço direito de Mark Zuckerberg, admitir que trabalhava menos horas para estar com a família foi um desafio: “Eu ficava mostrando a todo mundo que trabalhava para isso, que trabalhava tão duro quanto eles. Estava acordando mais cedo para garantir que eles vissem meus e-mails às 5h30, ficando acordada até mais tarde para garantir que eles vissem meus e-mails tarde da noite”.

Sheryl diz que ganhou confiança suficiente para parar com isso e dizer “Ei, estou saindo do trabalho às 17h30”. Zuckerberg, que eu saiba, nunca reclamou. E você, já parou para pensar em como a dedicação integral exigida por sua start-up impacta sua vida e a dos que estão ao seu lado? Ou vai guardar essa reflexão para os ouvidos de uma Bronnie Ware?

 

Alexandre Teixeira é jornalista de economia e negócios. Passou pelas redações de Época Negócios, IstoÉ Dinheiro, Valor Econômico e Jornal da Tarde.

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, "Felicidade S.A", Autor

Alexandre Teixeira é jornalista de economia e negócios. Nos últimos quatro anos, foi editor-executivo e redator-chefe da revista Época Negócios, uma das principais publicações do segmento no país, focada em inovação, sustentabilidade e empreendedorismo. O jornalista também passou pelas redações da revista IstoÉ Dinheiro, dos jornais Valor Econômico e Jornal da Tarde, além da TV Gazeta. Seu primeiro livro, Felicidade S.A, está sendo lançado pela Arquipélago Editorial.

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