Agenda para o Alto Crescimento: 4 desafios para acelerar o país

Rodrigo Brandão
Rodrigo Brandão

Rodrigo Brandão é gerente de Políticas Públicas da Endeavor. Previamente, atuou como Relações Institucionais da Companhia Siderúrgica Nacional e coordenador-assistente de estudos e debates da Fundação FHC. É formado em Ciências Sociais pela USP, com mestrado em Ciência Política e especialização em Economia.

Como o novo governo pode contribuir para diminuir os entraves burocráticos que impedem os empreendedores de crescer? A Agenda para o Alto Crescimento é uma resposta. Mas precisa de apoio para levar as demandas adiante!

Você conhece bem esta realidade. São cerca de 80 dias para se abrir uma empresa e de 450 para que ela esteja completamente regularizada. Outros 80 para o preenchimento dos documentos necessários e pagamento dos impostos devidos. Legislações, sobretudo as tributárias, que mudam o tempo todo. Aquele CNPJ do começo da sua jornada como empreendedor que, por conta de pendências pequenas, você não conseguiu encerrar até hoje. Bancos públicos e agências de fomento que estabelecem critérios de acesso a crédito que só  advogados entendem. Um sistema de propriedade intelectual que, depois de você batalhar tanto para desenvolver uma patente ou uma marca, demora muito para lhe conceder o registro, chegando, às vezes, a impedi-lo de recuperar o investimento — não só de recursos, mas também de tempo (e de esperança) — que você fez.

Este cenário difícil força você a ser resiliente, mas também faz com que você duvide se o produto ou modelo de negócios que desenvolveu são realmente relevantes e de impacto. Esta é a realidade de um país que, travado por distorções burocráticas, não consegue melhorar sua produtividade de modo a aumentar a renda da população e reduzir a desigualdade; que, apesar do potencial e da inventividade de seu povo, insiste em não enfrentar os desafios que emperram o empreendedorismo de ser o que ele é: a principal alavanca para o crescimento e o desenvolvimento de qualquer nação.

Se quisermos mudar, para deixarmos de ser o eterno “país do futuro”, o norte está dado: precisamos descongestionar para o país andar.

Agora é o melhor momento para comunicarmos isso aos nossos (futuros) representantes. Entre agosto e outubro, acontecerão as campanhas eleitorais de deputados federais e estaduais, senadores (escolheremos dois neste ano), governadores e dos candidatos à presidência da República. Neste período, os políticos e suas equipes estarão especialmente interessados em ouvir o que temos a dizer – um interesse que, muitas vezes, não perdura ao longo do mandato, infelizmente.

Se nossa janela de oportunidade é estreita, tratemos de aproveitá-la da melhor maneira possível. Com este objetivo, a Endeavor preparou a Agenda para o Alto crescimento.

Construído a partir de consultas aos nossos empreendedores, o documento identifica pontos críticos nas quatro áreas em que, segundo eles, estão as maiores dores de quem está crescendo muito, e muito rápido:

E – como não adianta nada apontar problema, mas não construir solução – a Agenda traz, ainda, propostas para a simplificação de processos públicos – não raro, excessivos e ineficientes – nestas quatro frentes.

São mudanças minimamente consensuais entre especialistas e que, apesar de estarem em discussão há um bom tempo, nunca se concretizam – entre outras razões, porque a opinião pública, incluindo uma rede tão grande e expressiva quanto a nossa, as conhece pouco. Já passou da hora, portanto, de falarmos mais sobre essas propostas e de fazê-las avançar. A Agenda permite conhecê-las: de modo leve e direto, ela cobre assuntos tão áridos quanto importantes, como, por exemplo, REDESIM, IVA, Cadastro Positivo, Tratado de Madri, entre outros. Engajarmos nossa rede em torno destes temas e propostas é o primeiro passo para, juntos, desburocratizarmos o Brasil, algo essencial à construção de um país moderno e dinâmico, em que o ambiente de negócios seja ágil porque as regras do jogo são simples e transparentes.

A Agenda para o Alto Crescimento aponta estes caminhos, contribuindo, assim, para que os números tristes — e, por vezes, irritantes — do começo deste texto deem espaço a uma realidade mais promissora, em que o empreendedor não precise mais se sentir como um maratonista que corre com um elástico preso à cintura em uma pista esburacada. Com menos entraves burocráticos, poderemos, cada vez mais, repetir feitos como os de 2017, quando 105 dos nossos empreendedores, reunidos em 61 empresas, geraram mais de 36 mil empregos e faturaram mais de R$ 4 bilhões.

Com menos entraves burocráticos, poderemos ir além, multiplicando o número de empreendedores de alto impacto, os principais responsáveis pela transformação do país.

Esse artigo foi escrito com a colaboração de Pedro Lipkin, do time de Mobilização da Endeavor Brasil.