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5 lições para não perder a alma de uma empresa pequena

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5 lições para não perder a alma de uma empresa pequena

O que o empreendedor pode fazer para que a essência não seja dissipada?

Recentemente eu estive na festa dos 25 anos da Olam International, um dos membros fundadores do Developing Market 100 (uma parceria da Bain com empresas de alto crescimento) e uma das empresas sobre as quais Chris Zook e eu discutimos longamente em nosso livro Repeatability (em tradução livre, Repetibilidade). A Olam é líder no agronegócio global, vendendo 44 matérias-primas agrícolas e ingredientes para a indústria alimentícia, incluindo castanhas, especiarias, café, cacau, vegetais e arroz. É uma player que tem formado um nicho bastante atraente em uma indústria bem-estabelecida e com um número de concorrentes fortes que já existem há mais de um século. Algumas curiosidades do site da Olam dão uma noção da velocidade com que a empresa vem crescendo em seus 25 anos:

  • Eles processam amendoim suficiente para servir 7.610.626.992 de sanduíches de pasta de amendoim;
  • comercializam uma quantidade de ingredientes lácteos que dá para encher cerca de 9,2 milhões de banheiras por ano;
  • fornecem as sementes de cacau para 1 em cada 8 barras de chocolate consumidas globalmente;
  • plantam, colhem e processam tomates suficientes para preparar 3,2 bilhões de pizzas;
  • e lidam com uma quantidade de arroz que dá para servir todos os habitantes do mundo três vezes!

A celebração incluiu uma conversa com a diretoria da empresa, e eu fiquei particularmente impressionado com a apresentação do Nihal Kaviratne, que passou 40 anos na Unilever e trabalhou com uma ampla gama de equipes de liderança global. Além de fazer parte do quadro da Olam, ele é presidente da Akzo Nobel Índia e diretor da GlaxoSmithKline Pharmaceuticals, da StarHub, da SATS Limited e do DBS Bank.

Em sua apresentação, Nihal tocou em um tema-chave: como a Olam pode reter a Founder’s Mentality ao longo dos próximos 25 anos de crescimento? Ele falou sobre 5 lições fundamentais para “manter a alma de uma pequena empresa”, as quais eu compartilho aqui:

1. Clareza de propósitos
Nihal argumenta que é crucial, para o conselho e a equipe de liderança de qualquer empresa, ter foco e clareza de propósito acima do normal. Também é vital passar esse propósito adiante até a linha de frente.

2. Liberdade dentro de um limite
Gestores devem fornecer limites claros para o seu time, para então dar a liberdade de encontrar seu próprio caminho dentro disso. Em outras palavras, o trabalho do líder é ser claro sobre o “o quê” e dar mais liberdade sobre o “como”.

O preço dessa liberdade, no entanto, é que as pessoas devem usá-la para ganhar, para inovar e lutar muito pela empresa. Segundo Nihal:

“uma coisa que pode acontecer com as empresas é que, à medida que os líderes exercem diferentes atividades dentro dela, eles começam a enxergar o seu objetivo como ‘evitar mais tropeços’ ao invés de ‘tentar ganhar mais medalhas’. Ficamos com medo dos riscos.”

3. Comunicações informais
“Existem muitas oportunidades para manter isso hoje nas empresas”, diz Nihal, “afinal, a tecnologia coloca todos um passo do CEO — é só mandar um e-mail ou uma mensagem.”

4. Interdependência
Isso não é a mesma coisa que co-dependência. Aqui, trata-se de construir uma equipe e reconhecer que é sempre melhor trabalhar em conjunto do que trabalhar isoladamente. Nihal argumenta que você não pode vencer de forma sustentável como uma empresa sem operar como um time. O trabalho em equipe precisa ser cultivado.

5. Generosidade de espírito
Estamos falando aqui de proteger os novatos, isto é, ficar com a culpa, mas dividir os créditos. Uma pequena empresa é o produto de dezenas de relacionamentos profundamente pessoais, e se forem bem-sucedidas, essas relações são definidas como dar e receber atenção e cuidado de pessoas.

Eu adoro isso! E alguns dos pontos apontados por Nihal dão sustento para as lições que ouvimos de outros fundadores:

  • A noção da “estratégia na mão” (que trabalhamos aqui) tem tudo a ver com a claridade de propósito, com tentar focar o sentido de insurgência que as empresas têm em seus primeiros dias.
  • A ideia de traduzir essa estratégia e essas capacidades em inegociáveis é bastante semelhante à criação de liberdade dentro de determinados limites.
  • A necessidade de comunicações informais aponta para muitos dos temas que discutimos sobre a necessidade de o CEO voltar para o campo e aprender com os “reis”.
  • O tema da interdependência ecoa nossas discussões sobre a importância de os reis e a corte trabalharem em conjunto, abraçando conflitos e entendendo o que é preciso para que uma equipe vença.

Mas o ponto de Nihal na generosidade de espírito é muito novo e algo que claramente ainda é pouco discutido. No final das contas, a alma da pequena empresa é de fato o produto de centenas de relações que foram construídas ao longo do tempo. A “cola” que fortalece essas relações é a generosidade — a disposição de todos para treinar, inspirar, incentivar, encorajar, elogiar e respeitar uns aos outros. Você pode ver como é fácil perder essa generosidade de espírito à medida que se cresce — e com ela, a alma da sua empresa.

Artigo originalmente publicado no blog da Bain & Company

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, Bain & Company, Sócio
James Allen é sócio do escritório de Londres da Bain & Company e co-líder da prática global de estratégia da Bain

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