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A jornada épica de um empreendedor

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O que a intuição e o enfrentamento de verdades consolidadas têm a ensinar sobre empreendedorismo.


“Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

Mas nele é que espelhou o céu”

(Fernando Pessoa, Mar Português)

 

Atravessar o oceano em cima de nove toras de pau-de-balsa. Quem nunca teve sensação parecida, nem ao menos em sonho, provavelmente é porque não assumiu grandes riscos na vida. Para aqueles que reconhecem a aflição, mas também não acreditam na viabilidade da empreitada, fiquem sabendo que ela já contou com apoio econômico e um realizador inabalável, em tempos nem tão remotos assim.

Era uma manhã de abril, de 1947, quando o antropólogo norueguês Thor Heyerdahl se lançou em alto-mar em uma espécie de jangada, com a proposta de percorrer o trajeto de 7 mil quilômetros entre Callao, na costa peruana, e Raroia, no arquipélago Tuamotu, próximo ao Tahiti. Se a façanha ainda parece razoável, imagine enfrentá-la acompanhado de (apenas!) cinco companheiros, todos inexperientes em navegação, sem saber nadar e com pânico de águas profundas.

O que levaria, você pode se perguntar, um simples pesquisador a realizar tal empreendimento? Mais do que a curiosidade por novas paisagens e a vontade de conquistar outros povos, responsáveis pelas grandes navegações dos idos séculos 15 e 16, o que embalava a aventura de Heyerdahl era a intuição.

Segundo relatos do próprio antropólogo, reunidos no livro “A Expedição Kon-Tiki”, a descoberta de achados arqueológicos da cultura inca em uma expedição à Ilha de Páscoa, em 1937, o levaram a acreditar que os povos pré-históricos da América do Sul teriam colonizado as ilhas polinésias a bordo de embarcações primitivas, levados somente pelas correntes marítimas e força do vento.

Dez anos mais tarde, Heyerdahl dedicou-se à construção de uma réplica das balsas que teriam servido para a travessia, usando materiais originais e mantendo o estilo de construção indígena, e batizou-a Kon-Tiki, nome do deus inca do sol, que conforme narra a lenda foi expulso do Peru e se refugiou nas ilhas do Pacífico. Acreditava, assim, estar preparado embarcar em sua aventura e confrontar a teoria de que os colonizadores originais seriam procedentes da Ásia.

Como se pode imaginar, o sucesso dessa jornada épica, que encontrou riscos frequentes de tempestades e tubarões ao longo dos 101 dias que levou para cruzar o oceano, está ligado a questões que vão além da sobrevivência de um visionário ou da comprovação de sua controversa tese sobre as relações entre América e Polinésia – que, por sinal, continuou a ser rejeitada pela comunidade científica.

A expedição Kon-Tiki fascinou o mundo pela bravura de um homem que acreditou em suas ideias, desafiou verdades consolidadas e assumiu riscos impressionantes para perseguir seu sonho. “Ele foi impulsionado por uma fé inabalável, muito mais do que pela aventura”, declarou a neta do explorador, Josian Heyerdahl, em entrevista a um jornal australiano, acrescentando ainda sua impressão de que a maioria das pessoas busca segurança, em vez de se preocupar em deixar algum tipo de legado, como fez seu avô, falecido em 2002, aos 87 anos.

Porém, antes de defender o estereótipo romântico do grande aventureiro, ela destacou que, embora arriscadas e intuitivas, as ideias de Thor Heyerdahl eram baseadas em pesquisas e evidências científicas, e que “qualquer um que faça algo realmente grande assim precisa fazer certos sacrifícios no percurso”. O mais recente filme sobre a aventura, lançado em abril deste ano, traz esse viés da história: Heyerdahl era tão determinado a provar sua teoria, que foi capaz de colocar a própria vida em risco, embora tivesse esposa e dois filhos.

Finda a sua maior aventura, o expedicionário seguiu investigando em outros lugares a influência das viagens oceânicas nos padrões de migração das culturas antigas, mas seu legado ensina acima de tudo que, independente da rota, as maiores conquistas costumam ser resultantes de uma intuição inabalável e do questionamento de verdades consolidadas.

 

Por Carolina Pezzoni

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