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A diferença entre idealizar e empreender

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Ter ideias é tão fácil quanto desistir. Conheça a chave para escapar da tentadora estabilidade da zona de conforto.

Não à toa, a ideia é o objeto de estudo e o centro das aplicações de modelagem. A partir dela, as aspirações empreendedoras se tornam insumos para pesquisas, prospecções, prototipagens e, afinal, a criação do produto mínimo viável. Antes disso, enquanto aspecto abstrato, uma ideia não faz sentido algum para investidores, anjos, venture capitals, designers de ideias ou quaisquer indivíduos e organizações interessados em acelerar negócios escaláveis ou com alto potencial de retorno a curto prazo.

Neste contexto, nascem apostas em negócios (startups) cada vez mais inovadores, geralmente focados em soluções práticas e simples, sendo repetíveis, no sentido de possibilitar a oferta de seus produtos e serviços ilimitadamente, a fim de corresponder à velocidade e à proliferação da sua demanda. Na maioria, são empresas virtuais que demonstram sua força a partir de um feedback quase epidemiológico de views e/ou criação de profiles.

Este panorama de negócios inovadores, composto por pontos inflamados de criatividade, criam um ambiente propício para os atributos mais desafiadores das ideias. E quais são eles?

Primeiro, vem a confusão. O indivíduo, imerso em alguma situação, acredita que a sua ideia é capaz de mudar o mundo, pois ela se apresenta em um cenário em que qualquer pessoa poderia conceber solução para o problema. Nesta fase, ela é delicadamente volátil, visto que ainda permeia o mundo da imaginação, e, com o tempo, a grande “visão além do alcance” vai se esvaindo.

Isso acontece por vários motivos, dentre eles: (i) o indivíduo não desenvolve atitudes capazes de empreendê-la; (ii) ele simplesmente tem como prioridade outras atividades; ou (iii) o simples fato de ter medo de arriscar e preferir a zona de conforto.

Vamos entender como zona de conforto a situação estável, nem sempre agradável, porém segura, em que um indivíduo se abstém de arriscar e inovar. Alguns a definem como a situação sob a qual as pessoas se escondem, usada como desculpa para não empreender.

Apaixonar-se. Ao ser contaminado por uma ideia, o empreendedor desenvolve uma relação de paixão por seus interesses. Tal comportamento é capaz de inibir a análise das atividades racionais da gestão ou do projeto e camuflar os riscos, as deficiências e a importância da visão sistêmica que configurou a sua ideia a partir de ações isoladas. Portanto, é necessário que o aspecto passional ceda espaço para o aspecto racional na implantação das ações. Esta racionalidade se configura na elaboração de um planejamento, capaz de garantir o controle das informações e o monitoramento das práticas a serem empreendidas: o plano ou modelo de negócio.

Depois, a provocação. Caso o idealizador não seja barrado na zona de conforto, a ideia tomará proporções de caráter motivacionalque farão com que as características empreendedoras se assemelhem às de um transtorno, visto que o efeito da sua reação se apresenta como uma obsessão, tão perseguidora quanto uma alucinação recorrente e tão marcante quanto um trauma ou compulsão.

Sua aplicação é capaz de envolver um conjunto de disfunções de conduta e sua prática rompe e corrompe o comportamento mais previsível. Desencadeia insônia, visões de futuro e uma ideia fixa, levando o indivíduo a se sentir perseguido ao ponto de gerar uma urgência de materializar essas visões, mesmo que outras pessoas não percebam nem deem crédito a esses devaneios.

Ter ideias pode doer! E, se dói, existem dois tratamentos possíveis: (i) colocá-la em prática e começar a respirar ares desafiadores e os efeitos das suas decisões ou (ii) muito repouso e deitar a ideia eternamente em berço esplêndido.

Se a resolução for empreender, chega, então, a fase de prospecção. O quê? Como? Por quê? Quem concorda? Se a ideia chegou a esse ponto, ela estará na beira do precipício: ou alça voo e se materializa em forma de negócio ou despenca levando junto seu idealizador (e, se chegou a este cenário, a queda pode ser dolorosa).

Analisar se uma ideia pode ou não dar certo, não é a intenção deste artigo. O objetivo é antes mostrar que a iniciativa é um grande diferencial entre o idealizador e o empreendedor e reconhecer a zona de conforto como um fator de alta influência sobre as ideias, visto seu caráter de estabilidade, mesmo que não combine com felicidade e realização.

E, se uma ideia não der certo, o que vale é entender que o fracasso ensina, enquanto a vitória envaidece, e, por isso, vale a pena renovar as possibilidades de ideias, porém sempre ciente que elas não valerão nada se não forem modeladas e colocadas em prática!

Portanto, caso exista interesse em encontrar um apoiador para sua ideia, faça a modelagem de seu negócio e tenha algo em funcionamento, com alguns resultados mensuráveis para mostrar. Caso contrário, não haverá motivos pelos quais o investidor interpretará o seu negócio como algo minimamente existente, confiável ou viável.

Marcus Linhares é professor e empreendedor, bicampeão do Prêmio Educação Empreendedora (Endeavor/Sebrae) e autor do e-book C.H.O.Q.U.E.: Tratamento para o Surto Empreendedor.

 

, GestorBOX, Co-fundador
Marcus é empreendedor, co-fundador do GestorBOX (redegbox.com.br), autor do livro C.H.O.Q.U.E.: Tratamento para o Surto Empreendedor choqueonline.com.br), professor de Empreendedorismo do IFPI e Bicampeão do Prêmio Educação Empreendedora (Endeavor/Sebrae).

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1 Comentário

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  1. Bruno Girardello - says:

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    Bom artigo Marcos. Vivo um dilema, quem sabe você consegue me dar uma orientação: Eu tenho um plano de negócios que pretendo apresentar para alguns investidores e ainda não dei entrada na patente. Como posso proteger a minha ideia/projeto, se eu precisar apresentar à investidores anjos, por exemplo, e que eu não os conheça ou tenha feedbacks? Nada saiu ainda do papel por esta insegurança.

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