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5 coisas que aprendi sobre negócios visitando a China nas férias

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empreender na china

Dos investimentos à inovação, o que a China pode ensinar ao Brasil sobre negócios e empreendedorismo? Fui até o outro lado do mundo para descobrir — e compartilho aqui meus principais insights.

A China abriga diversas empresas de tecnologia como Didi, Xiaomi, Tencent e Alibaba em cidades como Beijing, Shanghai e Hangzhou. Ela também possui um grande número de incubadoras, aceleradoras e startups em sua fase inicial e um ambiente bem peculiar de negócios. Por esse motivo, embarquei com 50 empreendedores, a convite do fundo de investimento Monashees, para visitar o país. Um episódio que por si só já mostra como é importante aproveitar seus parceiros e conexões para aprender.

Nos últimos 13 anos, optei por viajar para diversos locais do mundo para entender as diferentes percepções, análises, resultados e soluções de cada local.

Não é à toa que nasci nos EUA, o VivaReal foi idealizado na Colômbia e expandimos para Brasil.

Desde o início eu percebi que quando você se envolve fisicamente em um ambiente diferente do que está acostumado, é natural mudar suas percepções e perspectivas.

É por isso que, durante a minha estadia na China, tive cinco grandes aprendizados em relação ao mercado e que podemos usar para empreender no Brasil.

1) A velocidade é um tema muito sério na China

Sério, esse foi um tema muito recorrente na viagem. Os empreendedores e empresas chinesas são obcecados por velocidade e sempre havia um “profundo senso de urgência” — ainda mais relacionado às startups.

Depois de passar anos no Brasil e na Colômbia, minha reflexão é que o nosso senso de urgência não é suficientemente alto. No Brasil, temos um ritmo muito mais lento e isso realmente contrastou com meus últimos dois anos — isso porque muitos consideram o VivaReal uma empresa ágil e inovadora.

2) Cópia é comemorada, mas há alguns sinais de inovação na China

Eu me senti incomodado ao visitar empresas como Xiaomi e Baidu. Desde a embalagem da empresa de gadgets ser exatamente igual à da Apple e até a história da fundação de Baidu ser idêntica à do Google, percebi claramente que os chineses copiam tudo o que consideram bom. E eles pregam, celebram e não se incomodam por otimizar e se inspirar em players consolidados.

Claro que a China é muito mais que uma produtora de cópias. Eles estão identificando oportunidades para se adaptarem às necessidades globais e locais, e isso requer um nível alto de inovação. Conectando ao primeiro aprendizado, uma das razões pelas quais eu acredito que eles sejam tão rápidos, é o fato de eles copiarem muitas empresas e produtos. Entretanto, chega uma hora em que eles precisam inovar ou construir algo melhor ainda — e ganham escala, aprendizados e reconhecem quais são os melhores caminhos.

O meu incômodo inicial trouxe uma reflexão interessante de que é necessário certificar-se de que em algum momento você precisa atender às necessidades do mercado local e inovar, mesmo que uma determinada empresa ou solução global faça seus olhos empreendedores brilharem. Em determinados momentos, é possível se inspirar em outras empresas e, a longo prazo, isso não se sustenta. Parece óbvio, mas muitos esquecem de entender o seu cliente de forma mais focada.

3) As empresas de tecnologia na China estão pensando grande

Eu imploro aos empreendedores de tecnologia no Brasil para pensarem e agirem grande. Eu estava recentemente em um painel no CEO Summit e me lembro do que o David Vélez, fundador do Nubank, disse: “No Brasil muitas pessoas dizem que não podemos fazer isso ou aquilo”. Precisamos começar a desenvolver uma mentalidade disruptiva, quebrar paradigmas e dizer “Não importa! Vamos fazer isso!”.

O povo brasileiro é criativo. Agora, por que não estamos construindo grandes empresas inovadoras?

Não é necessário ser disruptivo desde o primeiro dia, mas a visão transformadora precisa estar presente. O WeChat, um concorrente do Whatsapp, possui mais de 600 milhões de usuários no mundo e criou um ecossistema de funcionalidades incríveis que eu nunca havia visto. No VivaReal, queremos que toda a cadeia do setor imobiliário tome as melhores decisões de forma transparente — na venda, na compra, no aluguel e até mesmo onde investir na corporação. Eu sinto que estamos longe dessa proposta, mas comemoramos cada conquista e melhoria sempre motivados para atingir essa visão. Para nós, os próximos 10 anos serão realmente emocionantes. É por isso que faço um pedido: expanda sua visão, seja transformador e sonhe grande!

4) Venture Capital está prontamente disponível na China

Conheci uma empresa online do mercado imobiliário chinês que levantou mais de US$ 500 milhões no último ano! O acesso a investimentos é impressionante no país asiático e, para mim, um dos fatores que contribuem para esse ecossistema favorável é que os empresários chineses vão atrás de oportunidades maiores.

No Brasil, somos muito tímidos e temos receio de sonhar grande, apesar do nosso capital humano, mercado e outros fatores são incríveis. Houve um momento no país em que os investidores desconfiavam, já se entusiasmaram e, agora, estamos vendo um momento em que o país e investidores estão mais criteriosos e também abertos para fazer apostas em empresas com conceitos bem estruturados. Eu me tornei um investidor-anjo e planejo continuar investindo no Brasil nas próximas duas décadas.

O que eu gostaria de verdade é não ouvir mais desculpas sobre a falta de acesso ao capital. Eu nasci em Sebastopol, na Califórnia e com população de 7.000 habitantes, e saí de casa aos 18 anos. No início do VivaReal, eu não frequentava uma escola de nível superior, não possuía um MBA e não conhecia ninguém no mundo dos negócios. Já ouvi que eu tive vantagens por conhecer o Vale do Silício, ser americano. Mas, na realidade, criamos uma startup com recursos próprios, fomos rejeitados dezenas de vezes por investidores e quase quebramos. Por determinação pura e esforço, conseguimos.

5) Existe uma forte mentalidade vertical, de cima para baixo, na China

As decisões na China são realizadas verticalmente, ou seja, da gestão para a operação. Com relação à minha experiência como fundador, coloquei na balança ambos os lados. Eu busco ser enfático naquilo que vislumbro e evito horas de discussões, mas também aprendi a abrir espaço para muitas pessoas assumirem a liderança. No início do VivaReal, as decisões sobre o que precisava ser executado partiam muito mais dos cofundadores. Nós ajustamos o tom com o que esperávamos em relação à cultura, precisávamos fazer isso. Tínhamos certeza sobre o que precisávamos construir, sem desviar do curso ou perder tempo.

Velocidade é a vantagem competitiva definitiva para uma startup, especialmente se estiver competindo com concorrentes maiores.

É por isso que ter uma visão clara é importante. Com isso, você consegue tomar ações rapidamente com base naquilo e naqueles que o apoiam, sabendo o que é interessante para curto, médio e longo prazo.

A startup, em geral, costuma manter sua essência de dinamismo, inovação e outras características mesmo com uma equipe maior e mais experiente. O desafio do empreendedor é permitir que a equipe e gestão tenham espaço para ir longe, evitando a microgestão.

Durante a minha visita à China e com a eleição de Donal Trump, me fizeram uma pergunta diante do cenário.

Se você tivesse que escolher apenas uma das opções, você diria que construir uma empresa é mais uma democracia ou uma ditadura?

Deixando a política de lado, a pergunta é muito provocante.

Acredito que a construção de uma empresa é uma “ditadura” benevolente, você precisa capacitar e ouvir a todos em seu processo de tomada de decisão como gestor. Isso não significa que você precisa tomar todas as decisões, mas alguém precisa definir e garantir que a visão está sendo seguida. Também não é justificativa para passar por cima das pessoas com suas ideias e ser um tirano total.

Como empreendedor, você trabalha para ajudar a sua equipe a colher as melhores ideias e, em seguida, definir qual é o caminho certo que a empresa deve seguir para ser capaz de executar uma visão ousada. A visão e soluções não são estáticas, nem resultados do que sonhou em um dia. Elas são uma soma de suas experiências e feedbacks que recebe. Você não precisa dizer a todos o que fazer, mas você precisa dizer a todos para onde você quer ir.

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, VivaReal, CEO
Brian começou as operações do VivaReal na Colômbia e no México. Empreendedor, trouxe a empresa para o Brasil em 2009 ao perceber que o país era um lugar promissor para tecnologia e mercado imobiliário. Atualmente o VivaReal tem 16 escritórios espalhados pelo Brasil e mais de 450 funcionários.

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2 Comentários

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  1. jose eduardo - says:

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    Sou micro empresario e tenho buscado conhecimento e tenho lido depoimentos de pessoas bem sucedidas para que de alguma forma me ajude a chegar no meu objetivo que é ser grande, e compartilhar sua esperiencia me ajuda muito parabens .

  2. Ruslany Wstephane Rodrigues Almeida - says:

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    Ótimo conteúdo! E aprendi sem precisar visitar a China rsrs.
    Muito bom!

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